Adaptado de:
Gerson Barreto Mourão Zootecnista, Professor Doutor de Genética e Melhoramento Animal, LZT, ESALQ/USP
Aline Zampar Zootecnista, Doutoranda, PPG Ciência Animal e Pastagens, LZT, ESALQ/USP.
Gerson Barreto Mourão Zootecnista, Professor Doutor de Genética e Melhoramento Animal, LZT, ESALQ/USP
Aline Zampar Zootecnista, Doutoranda, PPG Ciência Animal e Pastagens, LZT, ESALQ/USP.
É de conhecimento notório que o Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, apresentando grande potencial de crescimento. Porém, esse crescimento esbarra na baixa produtividade do rebanho nacional. O principal produto deste sistema é o leite, e por ser indispensável à alimentação humana, bem como importante função social. Parece óbvio que para solucionar tal problema um bom ponto de apóio é a melhoria dos índices zootécnicos e o estabelecimento de critérios de seleção condizentes com a pecuária leiteira nacional.
A produção total de leite(305 dias) tem sido considerada a característica mais importante em um programa de melhoramento. No entanto, essa visão simplista pode trazer pouco ganho (em genética ou em produtividade), sendo necessário entender a sua associação a outras características produtivas, bem como analisar como estas se comportam quando a seleção é praticada.
Até recentemente, produção de leite e características reprodutivas eram estudadas separadamente, porém a importância e o grau de associação entre elas, como indicadoras de eficiência do processo produtivo, resultaram no aparecimento de muitos trabalhos sobre o assunto, que exploram a análise conjunta. A análise conjunta, pode proporcionar um aumento da intensidade seletiva e maiores ganhos genéticos.
Nos últimos anos, com o "Programa Nacional de Melhoria da Qualidade de Leite" no Brasil, algumas mudanças ocorreram no setor, dentre elas o acompanhamento da qualidade do leite por meio de análises laboratoriais. Em julho de 2005 entrou em vigor a Instrução Normativa 51 (IN-51/2002). Tal programa surgiu, entre outros fatores, pelas exigências do mercado, estimulando os produtores a se empenharem na qualidade do leite, influenciando o uso de melhores genótipos e fomentando os programas de melhoramento. Além disso, a bonificação, oferecida pela indústria, estimula os produtores a produzir leite de melhor qualidade, utilizando entre outras ferramentas o melhoramento genético.
A literatura científica tem relatado coeficientes de herdabilidade para contagem de células somáticas (CCS) variando de 0,08 a 0,19. Apesar de moderados, melhoram a qualidade do produto. Além disso tem sido usada como indicadora de resistência à mastite em programas de seleção, uma vez que a correlação genética entre essas duas características é de aproximadamente 0,7.
Sendo a mastite uma doença onerosa, adicionar a CCS ao programa de seleção pode trazer benefícios à qualidade do leite e ao bem-estar animal. Conseqüentemente, pode otimizar o retorno econômico da atividade, reduzindo o custo com medicamentos.
O melhoramento genético deve priorizar não apenas o aumento do volume de produção, mas também a produtividade. Características como, teor de proteína e gordura, possuem herdabilidades de 0,20 a 0,30, que podem permitir ganhos genéticos importantes em poucas gerações de seleção. Porém, a seleção para altas porcentagens de gordura e proteína devem estar associadas a bons patamares em volume de produção, pois tem correlação alta e negativa com o teor de sólidos, chegando a magnitudes de -0,7, evitando-se perdas indiretas em volume de produção. Portanto, compreender a relação entre os fatores qualitativos, genéticos e ambientais que atuam sobre a produção de leite pode trazer resultados significativos, sobretudo com uma relação equilibrada e sustentável.